Quando começa a baixar a poeira adolescente que nos obriga a dar ênfase e grande importância para qualquer acontecimento ou circunstancia banal,começamos a avaliar as coisas como elas são. E a procurar outras mais satisfatórias, quando as antigas e batidas coisas não são mais tão fantásticas.
Digo isso com relação a tudo. Nossos gostos para televisão, livros, todo tipo de lazer. A vontade de ler aquele livro 'água com açúcar' começa a ser menor do que a curiosidade e a sede de saber o que Platão declara em "A República" ou, nem tão longe, pode ser Jane Austen ou Machado de Assis. Aqueles seriados meramente engraçados e extremamente comerciais e feministas abandonam o posto de "o melhor seriado do mundo" para "ah, rende uns risinhos, mas já não me mantém entretida". A famosa 'baladinha de lei' nos fins de semana deixa de ser o top da sua lista e programas como barzinho com os amigos, teatro, cinema, ou até mesmo ficar em casa lendo algo ganham os primeiros lugares no ranking. Talvez a balada fique adormecida por umas semanas, quiçá meses. Até as pessoas que estão ao seu redor acabam mudando. Nós passamos a conservar aqueles que conseguem manter uma conversa, rir e entender o seu nível de humor. Aqueles que tem interesses "academia - balada - novela" acabam ficando em nossos segundos e terceiros planos. OU nós, nos deles. Música? Ah, essa sim é uma transformação radical! Nossos cantores e bandas "vou-amar-pra-sempre/ sou-viciado-neles" são esquecidos e não conseguimos nem ao menos lembrar por que juramos amor eterno à um grupo de desconhecidos que nem sentido às letras das suas músicas conseguem dar. Passam a nos acompanhar cantores que conseguem captar nossa atenção e bem mais apurada noção musical por mais de 1 minuto. Seja sua letra ou apenas a melodia. Seja qual for seu gosto, naturalmente essa mudança ocorre. Não é uma regra, visto que Pearl Jam continua na minha vida e pretendo que nunca saia. Mas o gosto muda e expulsa da nossa rotina coisas que não nos alcançam mais, intelectualmente. Poderia excluir música desse grupo, mas pelo menos na minha vida é meio bizarra a mudança. De nervosas e barulhentas bandas, hoje se escuta música clássica, Jazz de raíz e muitos outros ritmos que são elevação cultural, além de todos os benefícios à alma.
E depois de avaliar como sua vida mudou de um tempo pra cá, seja 1, 2, 5 ou 10 anos, você vai se ver rindo de si mesmo, olhando suas fotos aos 13, 15 ou até 18 anos, ouvindo aquelas bandas tão sem sentido (eu quaaase sempre tive bom gosto '-') ou se vestindo daquela maneira e vai agradecer muito por fazer tanto tempo. Mas vai sentir saudades. Afinal, todo adolescente é idiota. Mas olhar pra trás te mostra que as coisas ainda têm muito o que mudar. E que daqui a poucos anos, você vai fazer exatamente a mesma coisa com o seu hoje. Crescer é ruim, mas é bom demais! Melhor ainda, é amadurecer. Descobrir as delícias e as dores de todos os dias e fases da vida.
E isso, é uma delícia de apreciar em si mesmo. Aprender a curtir qualquer etapa, até que vire passado.
E viva la vida! :D
Sem mais. :~
escrevinhado por...
lola.
