Um Ensaio sobre a Cegueira: a boa e a ruim.

O problema não está em se apaixonar. Está em furar os próprios olhos, ouvidos, sentidos e o tato intuitivo. Talvez até faça parte do movimento "amor", esquecer que o outro ser é imperfeito. Mas diminui a durabilidade de qualquer relacionamento em pelo menos, 60% (há exceções. A porcentagem pode passar de 80%). Não há motivo lógico para se engolir todos os defeitos inaceitáveis de outra pessoa como se fossem jujubas e fingir que nunca estiveram lá. Defeitos existem, graças a Deus! Temos que aprender a lidar com eles, não escondê-los dos nossos olhos até que estejam transbordando e você seja obrigado a olhar assustado uma pessoa diferente da qual aprendeu a amar. Culpa sua, não dela(e). É obrigação nossa olhar todos os pontos essenciais, bons ou ruins, da pessoa que escolhemos ter ao nosso lado. Não é obrigatório amar todos os seus defeitos ou manias infinitamente ENERVANTES, mas aprender a conviver com eles. São as peças que fazem daquele ser completamente ÚNICO.
O IBGE pode até tentar te fazer engolir que o dinheiro é a causa de x% dos divórcios hoje em dia, mas estou aqui, acima de todos os letrados GÊNIOS da matemática pra te dizer que...  Não.
É a cegueira no começo, meio e fim de todos os relacionamentos, que data o fim exato do amor, que é incrivelmente próximo ao fim da sua paciência e compreensão de parte daquela pessoa que você escolheu não conhecer, afinal, não é necessário. Ela deve ser toda perfeita mesmo... Ou parece.
A falta de dinheiro, os ciúmes, os problemas da vida só permitem que a falta de conhecimento aprofundado sobre a personalidade falha da outra pessoa te faça ver no que a criação e os costumes dela diferem dos seus e o quanto isso pode ser ruim. Agregado a isso, vem a falta de tolerância e compreensão. Isso sim, é uma coisa terrível. Sem preconceitos e nada pessoal, muito cuidado com pessoas assim. Pessoas intolerantes se apaixonam sim, claro. Mas a cegueira neles é mais breve e 'desamam' e se 'desapaixonam' num estalo, pois não suportam pessoas imperfeitas. E nós, humanos, no mundo inteiro, somos imperfeitos.
Aprendemos todos os dias, ou deveríamos. Erramos tanto quanto respiramos, muitas vezes.
A diferença das pessoas que amam muito e inteira e profundamente para as pessoas pobres de amor é essa: em todo e qualquer tipo de relacionamento, seja sua família, seus amigos ou um amor, essas pessoas amam. Você pode não gostar de crianças e ser malvado com idosos, pode não dizer 'obrigado', 'com licença' e etc e até ser mal educado, mas alguém que te ama por inteiro vai engolir essas manias como jujubas. Consciente de que está fazendo isso, o que é mágico. O fato de alguém te amar consciente de todos os seus defeitos te torna melhor. É a energia positiva daquela pessoa sendo manifestada em ti em forma de um amor puro. É bem parecido com mães e esposas com maridos e filhos na cadeia, por exemplo. Para o resto da sociedade, estes têm um rótulo. E apesar de qualquer julgamento externo, essas pessoas os amam, os apoiam e os ajudam.
É esse o amor mais importante e podemos chamá-lo de modificador. É esse amor incondicional e livre de cegueiras passageiras que faz as pessoas mudarem suas essências, procurando ser metade merecedores daquele amor abnegado que lhes foi doado de tão boa vontade. Não há nada mais poderoso que esse amor puro.  Por isso, se livrem da cegueira que acompanha a paixão. Em todos os relacionamentos, é prejudicial. Avalie, olhe, escute e tenha atenção à todas as características essenciais das pessoas. E então, lhes ame. Só assim poderemos mudar verdadeiramente as pessoas. talvez, depois que aprendermos a amá-las, não vamos querer modificá-las mais, pois já nos serão completas desta forma.
Quem sabe era esse o significado real da expressão: "Só o amor pode mudar o mundo."

Sem mais. ;)